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vassallu
 


Vassallu encanta o poeta...

Pequena Resenha Crítica

 

Romance “Vassallu, A Saga de Um Cavaleiro Medieval”

 

( Silas Corrêa Leite )

 

 

Não, as palavras não fazem amor

Fazem ausência

Se digo água, beberei?

Se digo pão, comerei?

***

Alejandra Pizzarnik

 

A decadência do Império Romano... As violentas invasões bárbaras... Idade das Trevas? Nem tanto. Para alguns autores, desde Carlos Magno (Século VIII e IX) e mesmo em XII e XIII a época é de muito progresso, fundamentos da civilização moderna, doutrinas sociais e econômicas no terreno das idéias. Preserva a tradição cultural helênica e o direito romano. Conserva e transmite a tradição cultural latina. Glorifica-se o espírito guerreiro... Criam-se as universidades, redescobre-se Aristóteles, processa-se a revolução social. Todo esse preâmbulo assim, jogado no ventilador das idéias, porque o tempo precioso da história atrai, cativa, fazendo o curioso literato e pesquisador viçado surtar mesmo, por assim dizer. Sorte nossa? A corrupção no império romano, a estagnação; as ruínas das classes aristocráticas, o feudo por si só não era muito provido no campo das saturações; guerra entre senhores feudais, energias libertárias perdidas de uns e outros se matando a torto e a direito, hordas e bandoleiros, a força bélica conspurcada e, sim, era preciso inventar alguma coisa para que fossem beligerar longe dali, de entre eles, por algum motivo ou razão que não destruíssem patrimônios, que tudo poderia literalmente sumir do mapa; que a igreja ficasse sempre ao centro, que as riquezas fossem de alguma maneira (que importasse o que fosse)  aumentadas custasse o que custasse. Ah Deus, quantos milhões morrerem em Teu santo nome; quantos Te usaram para matar, pilhar, destruir, profanar crenças. E a arraia miúda sendo a bucha de canhão, os incautos, os néscios. A igreja cristã que, depois do cisma grego (a verdadeira igreja cristã hoje é a ortodoxa desta linha) virou um antro que depois se revelaria na igreja “caostólica” (Deus fechou os lhos para terra durante a idade média, diz o atual papa pseudo-pensador de origem germânico-fascista), e vai por ai o esconderijo da história, os subterrâneos amorais – do que realmente está por trás de tudo mesmo – e Drumond, o poeta de Itabira já nos alertava sob vezo de uma rica ótica pós-moderna: a história é remorso. Santo Deus, então pecamos contra o Teu Santo Nome! Mas, Maomé foi o culpado, que Alá o proteja! Os vitoriosos escrevem a “história”. Os derrocados amargam panurgismos. A nobreza, a igreja, a cavalaria e os servis. Os papas, pecadores, com ilusões dantescas. Autoridades-blefes.  Pré-nascimento da burguesia assustando antros de escorpiões. A igreja decrépita perdia terreno, corria riscos, sangria desatada e não era de ceias santas, mas de interesses escusos. Era preciso unir os desgraçados de toda a sorte, fazer com que tivessem um ideal-qualquer-coisa em comum, não entre si com as decadências sazonais, de meio, destruindo terras, posses, matando-se entre si, papado na linha de tiro e caminho de reconhecimento pouco ético. Tinha que haver uma saída. Os primeiros cruzados, os problemas que tiveram, o santo sepulcro – o mote na mão dos infiéis  - e, eureka (ou devo dizer aleluia Judas?) descobriu-se a pólvora: tava ali a saída, saltando aos olhos dos nobres, do clero. Iriam usar Jesus (Deus? – Santo Deus!) em nome (santo nome em vão) de uma guerra escusa, todos por todos, invenções de milagres, aparições, idolatrias-(disfarçadas de veneração), desespelhos, caça às bruxas, e lá se foi o povo gado marcado alienado (crendices, intempéries, superstições nodais) lutar orienta a fora, saquear, pilhar, bandeiras ao vento. Bem, por ora basta. Cessemos as purgações dialéticas e analíticas. Ai do sal da terra, ai de ti Jerusalém!.

 

Quando um escritor se propõe a escrever um livro, merece respeito o projeto, claro. Quando o escritor passa cinco anos macetando suas idéias-lustres no papel, êpa, aí tem coisa, pinta uma idéia-livro portentosa. Livrai-nos Senhor de todo mal. E viçam causos. E belas conseqüências num entendimento açodado de quem pega um livraço mesmo, um tijolão pesado de quase 500 páginas e lá entra na história nua e crua. Vassallu, em latim, o nome da obra brasileira, riquíssima. Por que não Vassalo mesmo? Bem, o subtítulo “A Saga De Um Cavaleiro Medieval poderia ser outra, melhorada para vender o peixe letral, a idéia-obra, o baita romance de cardumes. Sim, porque quando peguei o livro pensei: autor novo em romance sistematizado. Perdão, leitores. Entrei de mala e cuia e devorei como um canibal de brochuras. Nesses últimos tempos, de tão escassos trabalhos bons na área de romance/novela/(ficções), posso dizer que foi o melhor livro que li, da estirpe de O Físico, O Perfume, ou mesmo os clássicos do Ítalo Calvino. O autor, médico Doutor Sérgio Mudado é muito bom e valeu a pena pelo gabarito que tem e pelo quilate da obra. Sabem de uma coisa?: eu me vi dentro de um filme sobre a Idade Média. Já pensou? Livro bom faz bem pra gente, pra mente, pra cultura, pra civilização principalmente contemporânea nesses tenebrosos tempos neoliberais de muito ouro e pouco pão (e pouca cultura literária até).

 

O livro, claro, aqui e ali tem seus pequenos errinhos naturais de revisão (pecado certamente perdoado pelo volume da obra extremamente feliz de concepção) de estupendo e grosso calibre literal, alguns muito bem observados pela mestra e Maria Ilsen de Curitiba, Pr (que mo emprestou o livro), teria que ter tido sim, um necessário e belo investimento financeiro na midiática divulgação ampla da obra, se eu fosse um diretor da Globo faria uma mini-série internacional e seria um sucesso de se vender no mundo inteiro, como Escrava Isaura. Será o impossível? Vassalo madurado. A montagem narrativa, a arquitetura cênica da narrativa, o depoente (bem sacado) historiando tudo, as cruzadas, os escândalos, as paisagens, o personagem principal Ybert de Troyes muito bem sacado, verossímil e bem quase visível (vivível) no encantário literário de qualidade e de profundidade histórica, amores e sofrimentos, mentiras, histórias dentro da história, lendas, invencionices bem calçudas e bem encaixadas, um ótimo escritor, bem inteligente e criativo, pode se dizer que escreveu o livro de sua vida. Tem mais? Sinceramente, um livro que eu gostaria de ter escrito. Adorei de já agendar para reler, para emprestar também para amigos que adoram uma ficção de excelente qualidade. Batalhas, cenários, traições, enfeites poéticos, imagens bem trabalhadas. Gente, um livro e tanto. Fui cativado. Embarquei na viagem dos Cruzados, como um cético, um crítico, um sandeu do terceiro milênio, mas acabei abduzido pela linha de montagem da obra enquanto construção técnico-literária, querendo ler mais, ir adiante, querendo saber o que ocorreria no devir, querendo chegar logo ao final, e, ponto pro autor Sergio Mudado. Ele conseguiu por excelência o seu objetivo. Saí da leitura com a alma lavada, com sabor de quero-mais, sabendo que, sim, li um clássico da literatura brasileira contemporânea mesmo em entalhes e nuances exóticos, de emboabas.



Escrito por xico santos às 15h28
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Continuação...

O narrador central, o linguarudo Ruivo, um senhor personagem, entre médico, astrólogo, filósofo – e o procurei fruir (desfrutar) em suas sandices e criames, comparando entre outros personagens de outros livros. Sem igual. A idade média dos românticos e também das bestas humanas – de lado a lado (quem é infiel pra quem?), ora o bárbaro sendo de um lado, ora sendo de outro, a santa madre igreja católica por trás berrando horrores nos descalabros (acho até que na verdade foi bem pior, o autor pegou leve, moderou a mágica mão/mente numa boa), as paródias sobre as cavalarias, o lado espiritual, o lado loucura braba, o homem atrás de alguma coisa que nem era a bendita santificação mesmo, mas a loucura da viagem resgatadora, muito além da fé o bem material, uma horda atrás de outra horda. O santo sepulcro? Um mero detalhe. E um final que, sim, bem ao estilo que gosto, a la William Shakespeare, arrebatador num sentido. Li-vi (vivi) a cena final. Encorpada. Digna de um final em cinemascope de Hollywood. Já pensou?,

 

O livro é tão bom, tão obra-prima, tão importante que, falando sério, Vassalo ficou pequeno para o título, Vassallu ainda piorou, e, o sub-titulo não ajudou em nada, Só lendo a obra de fio a pavio, evoluindo, é que você prendido pela lógica seqüencial dos arames narrativos, fica preso ao livro, gosta, se deleita, e vai babando como um ledor voraz até acabar e dizer que o autor merece respeito e admiração. O bem e o mal? Um mero detalhe quando interesses escusos, político-religiosos (do mal) estão por trás, nos sujos porões dos podres poderes, dos nefandos bastidores. Dizem que, quem muito bem estuda a história, vira ateu, comunista de carteirinha. Aleluia Karl Marx, esse Vassalo não terrifica assim a igreja como deveria (poderia), ficou mais pro lado de uma ótica do Ruivo que narra contentezas e prazeiranças do arco da velha, mas, conta muito bem, comendo pelas beiradas os fatos centrais, um olhar também estarrecido para a miséria, a impunidade, as sandices de tantos sandeus do lado peregrinador com endosso de fanático núcleo papal. Sergio Mudado não é fraco não. Carece ser muito bem reconhecido.  Espero ler outros livros dele. Ele escreverá outro como esse, seu “número um”? Espero que a editora faça uma bela revisão da próxima edição. E invista muito cacau numa outra impressão, propagação, divulgação séria, competente. Sérgio Mudado merece respeito dessa investidura. Vassalo, a saga de um cavaleiro medieval é tudo isso e muito mais. Quer saber? Compre o livro. Leia o livro. Gaste o livro de tanto bem o ler. Adore o livro. O que me foi emprestado eu não cedo e nem empresto pra ninguém. E vou ter dó de ter que devolver, se preciso for. Sou

Escrito por xico santos às 15h26
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Continuação...

vassalo de livros de boa qualidade, tenho minha própria saga pra curtir, para apreender e contar. Conheço sangue, suor, lágrima, cobro humanismo de resultados... “O tempo é a mão de Deus”, diz o autor, e “o homem a sua peçonha”, conclui. O meu pai dizia que o melhor juiz é o tempo, que dá a cada um segundo o seu merecimento. O autor foi premiado e escreveu o livro de sua vida, ao nos dar um grande livro para as nossas precárias vidas errantes (e em erranças).  O homem é o fracasso de Deus? Com “Ecce Homo” Sérgio Mudado, podemos dizer que o homem é o sucesso de Deus. A história é remorso sim, mas tem seus letrados artistas excepcionais para descolorir (em preto e pranto), colorir quando soam a trombetas, colocar pingos em is, pingos em dáblios, revelar a face das memórias inventadas, capitulações de idéias incendiárias, registros letrais que dignificam a raça humana, a espécie humana. O anjo caído às vezes tem lampejos divinais (no letral também) e voa na imaginação que nos seduz, cativa, empolga. Sergio Mudado é dessa estirpe, mergulhou no passado e resgatou essa ópera bufa que foi a idade média trevosa, com um discurso enriquecido de nervuras, dando-nos proveito de sua determinação fora de série. Saberemos aprender as lições? A história é um enorme ponto de interrogação à beira do abismo, quando os piores abismos foram a própria Idade Média e depois o nazismo e sua guerra louca, tudo com o manto ocre da santa igreja fazendo tipo e fútil pompa, e ainda (blasfêmia!) em nome de Deus, de um deus, quê deus? Há um Deus. A história é uma pedra na consciência da civilização. Van Tieghem diz que a categoria social e a importância do escritor crescem em forma notória. Deve ser isso. Os privilégios dos caminhos da literatura contra os sandeus do absurdo que ainda impunemente viçam e mandam. Milton Hatoum diz que o escritor passa a vida inteira tentando dizer uma verdade profunda através de uma invenção literária. Sérgio Mudado acertou e brilha na sua obra. Aliás, o próprio dia de brilhar (ilha de edição?) vive dentro dele, espelha ele, está no romance dele, Vassalo. Carne e coragem. Idade Média destilada como sangria letral. Por fim, como muito bem observou a amiga Maria Ilsen na apresentação do livro no site da Livraria Cultura, só a consciência da finitude explicaria a busca da continuidade muito além da vida, além dos sentidos. Alguns se tornam vassalos desta busca. Outros, plantam árvores, criam filhos, deixam obras importantes como Vassallu, A Saga de um Cavaleiro Medieval.

 

 

Silas Corrêa Leite – Itararé-SP, Brasil

Autor de Campo de Trigo Com Corvos, Contos, Editora Design

E-mail: poesilas@terra.com.br Site: www.itarare.com.b/silas.htm



Escrito por xico santos às 15h25
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Leitura de Carnaval

Prezados Senhores,

Sou professora na Fundação Bradesco e por indicação da bibliotecária, Sra Lourdes, ganhei um exemplar do livro "Vassallu", de Sérgio Mudado.

Gosto muito de ler e tenho sempre muitas leituras atrasadas, mas, no carnaval, instigada pelo título da obra e pelo assunto, resolvi passar a "saga medieval" na frente de outros livros que estavam no prelo.

Confesso que fui tomada por aquele desejo (raro, em se tratando de obras contemporâneas)de continuar lendo sem parar... Acompanhar aqueles cruzados em sua empreitada mística tanto em direção à Jerusalém quanto ao seu interior foi um experiência fascinante e muito mais prazerosa que todos os carnavais e afins.

Achei o livro muito superior a obra de Rosa Montero "A história do rei transparente", um dos últimos que li.
Foi como ler Jacques Le Goff na ficção.

Parabéns ao autor Sérgio Mudado e a editora pela qualidade editorial.
Com certeza, indicarei aos meus alunos.

Obrigada,
Débie dos Santos Bastos

Escrito por xico santos às 07h55
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Andréa Del Fuego escreveu... www.delfuego.zip.net/

Vassallu

Sérgio Mudado é o Stendhal brasileiro. Melhor ainda, por não negar a ancestralidade literária: Machado e Rosa.

Vassallu é uma obra-prima. Há muito tempo não lia um romance tão bem escrito, articulado, cuidado. Isso tudo sem impor a pegada do autor, sem piruetas de estilo. Adoro estilo e como voyeur me encanto com os andaimes emocionais e intelectuais dos estetas. O caso é que Sérgio está preocupado com a história, ele urde um longo tapete por onde o leitor não escapa, nem mesmo pra evitar uma das cenas mais violentas que o cinema ainda não fez. Este romance, dos brasileiros, é um dos mais universais.

Parabéns ao Xico Santos, editor atento, que trouxe Sérgio Mudado à luz.


Confira Vassallu: a Saga de um Cavaleiro Medieval.


Escrito por xico santos às 10h10
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Fabula est mundus - por Benedito Nunes

As fábulas (mitos inativos em verso ou prosa), já parte do que se chama de literatura, pendem para a narrativa oral. Em geral, elas desterritorializam as personagens, colocando-as no tempo mítico e no espaço legendário que pairam acima dos territórios e das épocas. As fábulas não são de tempo e lugar algum. Elas jogam, brincam com o tempo e com o espaço. E já estão fazendo tal brincadeira mesmo quando medievalizam, como sucede nessa narrativa de Sérgio Mudado.

Não é estranho que isso aconteça. Houve uma Idade Média dos românticos, que se reavivou no século XIX na Inglaterra, na França e na Alemanha. E houve antes a Idade Média ficta dos romances de cavalaria, que Cervantes parodiou no Dom Quixote, dando-nos nesse romance de romances, como demonstrou Miguel de Unamuno, uma exemplar história moral e espiritual. No século XX, O Barão partido ao meio e O Cavaleiro Inexistente, de Ítalo Calvino, são parodísticas, graças à mistura do cômico ao fantástico nas aventuras medievalescas descritas.

Essa mistura marca a imitatio parodística da Cavalaria em Vassallu – a saga de um cavaleiro medieval, por meio do longo depoimento oral prestado ao chefe das Cruzadas, Godofredo de Bulhão, pelo narrador, o Ruivo, ao mesmo tempo médico e assistente militar dos guerreiros a que serve durante a época das Cruzadas.

Como narrador dessa saga, o Ruivo ladeia o Riobaldo de Grande sertão: veredas, na obsessão pelo Diabo, como principal agente dos conflitos experimentados pelos personagens. Põe-se ele na rinha dos combates, senhores contra vassalos. Os contendores, entre sentimentos violentos de amor voluptuoso e ódio cruento, perturbam a diferença por eles encarnada entre o Bem e o Mal, passando, incessantemente, de um a outro pólo. Caçam-se entre si. Caça o violento Hariulf sua desejada Teodora, e caça o marido dela, que lhe concedeu o jus primae nocte.

O tempo histórico das Cruzadas, no qual isso se passa, torna-se irreal, como irreal o espaço das proezas narradas, que não pertencem a lugar nenhum. Guimarães Rosa medievalizou o Sertão da língua portuguesa, Sérgio Mudado sertaniza uma Idade Média temática.

O efeito parodístico de Vassallu: a saga de um cavaleiro medieval, é extremamente crítico. A fábula implícita a essa saga inverte a moralidade cristã, traspassando o Bem e o Mal. Quem é que então vige, Deus ou o Diabo? A pergunta coincide com a de Riobaldo. Mas a resposta do Ruivo é taxativa: o Diabo teria envenenado Deus por intermédio do homem.

À luz da acerba ironia dessa resposta, tudo quanto ocorre – o heroísmo guerreiro, a piedade religiosa e a paixão amorosa – é, ao mesmo tempo, humano e perverso. Converte-se a fábula numa gesta enganosa, numa história burlesca e, enfim, numa farsa trágica, que, diabolicamente entrosadas, põem do avesso o homem no mundo.



Escrito por xico santos às 13h50
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Um fotógrafo

que pode ser visto em http://andredetoledosader.zip.net/index.html e... que escreveu:

Gárgulas de Notre Dame de Paris

 

Gárgulas de Notre Dame    Paris 2004
 
Esse post é uma homenagem ao meu amigo Xico Santos,
pois acabei de ler "Vassallu" de Sérgio Mudado, editado pela Altana,
sua editora.
 
Adorei o livro, e acho que quem como eu gostou de "Os Reis Malditos" do Druon,
vai gostar de "Vassallu" e sua primorosa ambientação medieval . Sou suspeito, mas recomendo.
 
O que tem a ver Notre Dame com Cruzadas? Algumas coisas, entre elas, foi ali pertinho,
num apêndice da Ile Saint Louis, onde está a Notre Dame, que foi queimado vivo
aquele que teria sido o último grão-mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, quando da sua extinção.
 
Esse, alias, é o começo de "Os Reis Malditos".
 
Voltando ao "Vassallu", que nada tem a ver com Templários,
achei sensacional e o final surpreendente.


Escrito por xico santos às 12h10
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Boas vendas!!!

Olá velho senhor Xico Santos, será um prazer diabólico, quase um endemoninhamento ou loucura vender esse maravilhoso livro, terei de gravar o talmude ou buscar numa passagem que retrataram direitinho, com muita fidelidade, nosso caro editor: "... Seu corpo nu era avermelhado, disforme e musculoso, e, apesar de seu aspecto ostentar enorme potência, faltava-lhe, esquisitamente, o órgão da virilidade, da força geradora!...".
 
Bem, vou lutar contra esse demo mídia e colocá-lo na boca de quem realmente lê.

Gustavo Uba


Escrito por xico santos às 13h18
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Sérgio,
 
Seu livro, Vassallu, é realmente uma obra de peso, séria, que nos remete à consideração de fatos, alguns conhecidos porque liberados pelos donos da história e de outros guardados a sete chaves.
Percebe-se que é o produto de estudo e pesquisa séria.
Parabéns sinceros de uma admiradora de seu talento.
 
Dóris Fonseca Oliveira (de Cambuquira)


Escrito por xico santos às 07h54
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Não pode faltar, ô livraria!

Sérgio,

 

fui à Livraria Cultura aqui em Brasília, no Casa Park, um lugar muito transado

(tipo aquele shopping onde tem a Tok Stok aí em Belo Horizonte).

A livraria é muito ampla, bonita e bastante freqüentada. Eu adquiri o

Vassallu e ia pegar outro para colocar em evidência (escondido, é claro!).

Mas não encontrei nenhum outro na prateleira. Fui até um outro vendedor, que consultando o computador, falou que havia acabado e ele teria que pedir em São Paulo.

Fiquei na dúvida: será que levei o filho único de mãe solteira?

Qual seria o tamanho da encomenda original?

 

um abraço,

Renato



Escrito por xico santos às 10h08
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Vassallu – uma história atual de novecentos anos.

Por Ruy Flávio de Oliveira

Quando ouvi falar pela primeira vez de “Vassallu, a saga de um cavaleiro medieval”, o mesmo ainda era um manuscrito inédito nas mãos de meu amigo Xico Santos –, cabeça, tronco e membros da editora Altana, e descendente espiritual do próprio Dom Quixote se levarmos em conta o esforço que empreende em sua vida de pequeno editor em nosso país.

Poucas vezes – se é que houve alguma – eu havia visto tanta empolgação no Xico. Uma saga medieval que se iniciava na França e terminava na Jerusalém conquistada pelos cruzados. Uma viagem às lutas internas de um cavaleiro – seus medos, suas ambições, suas crenças e paixões, tudo regado ao sempre intrigante tempero medieval, época cada vez mais fantástica à medida que temporalmente nos afastamos dela.

Não ouvi quase nada depois da palavra “medieval”, tamanha a paixão que nutro pelo assunto. Passei a sonhar com o livro, a encher o saco do Xico por notícias do mesmo e a invejar secretamente o autor, por tão boa idéia literária. Reli várias obras sobre o assunto, e perdi a conta do tanto que ouvi minha modesta coleção musical da época, sempre antecipando o que a Altana nos proporcionaria. Cheguei a ficar com medo de uma descrição pobre do período, daquelas do tipo que a Disney faz em seus desenhos.

Bem, para encurtar a história e chegar logo a um esboço de análise, resisti à tortura da espera, e fui premiado com uma obra de rara beleza. Não que o livro seja poético, pois não é. A Idade Média não é poética, e o livro não teria como ser. O livro é belo pela descrição fiel que faz de uma época fundamental para o desenvolvimento de nossa civilização. Sérgio Mudado, o autor, captou o espírito daqueles mil anos nos meros quatro que fazem parte de seu relato.

O que segue nos próximos parágrafos é uma pequena análise do texto. Não pretendo que seja uma análise completa, mas sim uma tentativa de avaliar alguns aspectos que o contrapõem aos nossos tempos.



Escrito por xico santos às 13h51
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Continuação...

 

Para começar, vou apelar para a Bíblia, que sempre fornece de duas uma: inspiração ou desculpa para a falta de inspiração. Aliás, não tenho a menor intenção de me esconder atrás da primeira opção.


No capítulo 20 do Apocalipse de João vemos um trecho interessante que transcrevo abaixo, da tradução para o português, do Padre Almeida (edição fiel e corrigida):

"E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo. E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos. E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão, e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os devorou."


Escrito por xico santos às 13h49
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Continuação...

Este trecho compreende os versículos de 1 a 9 e é desnecessário comentar sobre o hermetismo de seu conteúdo (como, de resto, é o caso de todo o Apocalipse).

Uma das várias interpretações que já surgiram para este texto, proveniente de uma visão reencarnacionista, explica a passagem de uma forma bastante interessante. Vejamos se consigo expressá-la nas linhas que se seguem.

Para que a mensagem do Cristo pudesse florescer sem ser sufocada pela iniqüidade reinante no mundo no período inicial da era cristã, os prelados de Deus a cargo da evolução de nosso planeta açambarcaram o principal contingente dos espíritos ignorantes (leia-se maus) que por aqui grassavam, e o exilou temporariamente em uma região onde não poderiam interferir negativamente no curso dos acontecimentos. O exílio temporário desta massa de espíritos inferiores (o dragão, a antiga serpente, o Diabo, Satanás) de forma alguma transformou a Terra em um paraíso livre do mal, mas sim, reduziu ligeiramente a influência da ignorância no curso evolutivo da humanidade enquanto durou. Desta forma, durante o primeiro milênio após a vinda do Cristo, o planeta – temporária e artificialmente – mais propício ao gérmen cristão, viu o surgimento e o crescimento da mensagem cristã, não sem percalços, claro, mas certamente de forma mais segura. Argumenta-se inclusive que se não fosse por este mecanismo, a mensagem cristã teria se perdido pouco tempo depois de sua germinação inicial.

Ocorre que, passados os mil anos de exílio tidos como necessários pela espiritualidade superior para o estabelecimento da doutrina cristã (em que pesem as inserções e alterações provenientes dos concílios católicos que também ocorreram no período), os espíritos temporariamente exilados deveriam retomar seus processos evolutivos, voltando a passar pelas inúmeras encarnações necessárias à sua depuração. Recalcitrantes em seu ódio e ignorância, fizeram votos de, quando de seu retorno à crosta, lançar fogo sobre a Terra.


Escrito por xico santos às 13h48
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Continuação...

O retorno de Satanás seria, segundo esta interpretação, uma retomada das reencarnações destes espíritos ignorantes, incapazes de compreender a essência pacífica da mensagem cristã e, imbuídos de propósitos de conquista, se lançaram às Cruzadas como forma de extravasar sua sanha.

A interpretação acima, ainda que possa contrariar crenças e opiniões (o que de forma alguma é objetivo deste texto), vai de encontro aos acontecimentos narrados em Vassallu, pois o que se vê com maior clareza nesta obra é o movimento dos ditos "exércitos de Cristo" desde sua formação até a conquista de Jerusalém em agosto de 1099.

O frêmito assassino das hostes designadas pelo papa Urbano II para a conquista é narrado com entusiasmo e verve pelo Ruivo, que busca responder ao processo inquisitório que seu amo, o cavaleiro Ybert de Troyes se vê envolvido post mortem.

Quando dei início à leitura de Vassallu, inconscientemente guiado pelo subtítulo da obra (a saga de um cavaleiro medieval), esperava que o tema da primeira Cruzada fosse pano de fundo para o desenrolar da história do miles em questão. Contudo, esta é mais uma das aparências que enganam no decorrer da leitura. Em Vassallu há várias narrativas, descrições e digressões, sempre pertinentes aos périplos de Ybert, porém todas servindo de pano de fundo para a verdadeira linha mestra do livro: a marcha incessante e avassaladora dos cruzados, em direção a Jerusalém.


Escrito por xico santos às 13h47
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Continuação...

Personagens mais que conhecidas deste período, tais como Godefroi de Bouillon, Raymond de Saint-Gilles, Bohémond de Tarento, Adhémar de Puy, Aléxis Comneno são apresentados sempre com as cores frias, e calculistas do Ruivo, o narrador em segunda pessoa desta saga, de forma que os sentimos próximos e vivos. Farejamos a desagradável cabeleira desgrenhada de Saint-Gilles; imantamo-nos em sua fé desmedida; buscamos distância de sua ira religiosa e de suas desconfianças políticas. Alexis nos assombra com sua perspicácia; sua língua metaforicamente bifurcada nos causa calafrios. Abismamo-nos com a ganância desmedida de Bohémond, mas insistimos em seguir-lhe os passos, o que no mais das vezes revela algo sobre nós mesmos.

Acompanhamos as ações destes ícones históricos não como se fossem acontecimentos de quase um milênio atrás, mas sim com a mesma proximidade de algum dos conflitos atuais que se desenrolam no planeta. A crônica impetuosa e apaixonada do Ruivo substitui o discurso plástico e ensaiado dos repórteres da CNN, e as imagens que ele nos suscita à imaginação são mais claras e coloridas que as providas pelas câmeras de televisão. O sangue narrado pelo Ruivo é mais vermelho, bem mais presente e muito menos asséptico. As ações dos cruzados são mais reais, apesar da gigantesca carga de violência e insensatez que as direcionam. E nos questionamos se as páginas em nossas mãos são realmente obra literária, mero devaneio sobre fatos já há muito dispensados da atenção da humanidade, ou realidade mais que incômoda, a nos assombrar desde tempos imemoriais. Nossa moralidade, nossa filosofia, nosso racionalismo existem apara além das páginas e intenções que os descrevem? Nosso espanto com os antepassados medievais vai além da autocrítica tardia?


Escrito por xico santos às 13h46
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